"Em 1873 desembarcaram no porto de Vitória algumas centenas de famílias alemãs. Esses alemães eram provenientes em sua maioria da Pomerânia, então pertencente à Prússia e atualmente território da Polônia. Ao todo, chegaram ao estado do Espírito Santo 4 mil pomeranos. Os pomeranos eram um povo que vivia isolado entre a Alemanha e a Polônia, com hábitos culturais extremamente diferentes do restante da população.
E mbora não se considerassem alemães, os imigrantes pomeranos eram tratatos como tal e foram enviados para o alto das serras, onde já tinham se instalado outros imigrantes alemães, numa região isolada por florestas. Na região das serras, antigamente habitada pelos índios botocudos (que foram dizimados), os colonos alemães passaram a se multiplicar em larga escala. Famílias com 12 à 20 filhos eram comuns e, ainda hoje, os descendentes de alemães formam a maioria da população na região.
Na colônia houve uma divisão étnica: de um lado do Rio Jucu viviam os alemães provenientes do Hunsrück e do outro lado os colonos provenientes da Pomerânia. Mas, os pomeranos eram em maior número e, com o passar do tempo, os hunsrückers foram assimilados pelos pomeranos.
Hoje estima-se que vivem no Espírito Santo aproximadamente 250 mil descendentes de imigrantes alemães, dos quais 120 mil são pomeranos. O idioma dominante é o Pomerano. Santa Maria de Jetibá é uma das únicas comunidades falantes do Pomerano no mundo, ao lado de Pomerode, em Santa Catarina." Bruno Pellacani
